O QUE ENGORDA VOCÊ

                      

          Cada pessoa é única em matéria de metabolismo, por isso as dietas que andam pela mídia nem sempre funcionam para todos. Há pessoas que simplesmente se privam dos carboidratos e doces e, apesar de adotarem uma alimentação saudável com proteínas, frutas e legumes nem sempre emagrecem. Muito pelo contrário, muitas vezes até ganham peso e se desesperam porque a dieta não está funcionando. Enquanto outras comem de tudo o dia inteiro, sem se preocupar com a balança e não só não engordam como até muitas vezes emagrecem. Algumas são frequentadoras assíduas de Academias e sofrem para reduzir medidas enquanto outras levam uma vida sedentária e conseguem manter o peso e o grau de satisfação diante do espelho. E porque isso ocorre? Nem sempre é questão de genética. Numa família de obesos, às vezes encontramos um literalmente magro e numa outra de esbeltos, achamos alguém com obesidade mórbida. O fato é que ninguém gosta de engordar porque ter gordurinhas à mostra não é sinônimo de saúde. Todo mundo sabe que a gordura no organismo pode provocar o aparecimento de inúmeras doenças não só de natureza física como mental, além de desencadear o famoso bulling entre a infância e a adolescência no ambiente escolar.

          O ideal é que a cada ano, as pessoas façam um check up completo em caráter investigativo para saber como anda a sua saúde porque toda doença que  for encontrada no início tem grandes possibilidades de cura. O exame de sangue é fundamental e pode mostrar o nível de glicose, colesterol, triglicerídios e tireoide se está normal ou alterado. Um desequilíbrio no funcionamento da tireoide ou da glicose pode determinar um aumento ou uma perda excessiva de peso. Portanto, antes de mais nada, é bom consultar um profissional da sua confiança para analisar o seu caso que é único e, portanto, diferente de todos os demais. Se for descartada a hipótese de alguma anormalidade na sua glicose e principalmente na sua tireoide, é hora de partir para uma análise profunda dos seus hábitos alimentares e de vida diária.

          Certa vez, uma pessoa que não tinha o hábito de jantar e que ingeria uma alimentação balanceada durante o dia notou, de repente, que havia sofrido um inexplicável aumento de peso. Passou dias tentando descobrir a origem daquela barriguinha protuberante até que encontrou a resposta para o problema. Nem sempre é o que a pessoa come que faz engordar. Muitas vezes é o que ela bebe que pode determinar o aumento de peso. Essa em questão descobriu que era o refrigerante, mais precisamente a Coca-Cola a responsável pelos seus quilinhos a mais. Ela tomava uma garrafa pet inteira por dia, quando não raro, uma e meia. Então, substituindo apenas a Coca-Cola por água mineral e mantendo a mesma alimentação, perdeu sete quilos em três meses. Desse modo, não adianta comer pouquinho e ficar bebericando cerveja gelada durante as refeições, refrigerante para matar a sede, espumante a torto e direito, mesmo quando não tem motivo para comemorar, sorvete cada vez que sai na rua e vitaminas açucaradas no final da tarde como se isso não contabilizasse as calorias ingeridas.

          Outro exemplo é o de uma pessoa que, sem modificar os seus hábitos alimentares e tendo passado por uma exaustiva semana de mudança, carregando caixas pesadas, subindo e descendo escadas durante horas sem parar, conseguiu perder três quilos em cinco dias. Para ver como os exercícios físicos geralmente são ótimos aliados para a perda de peso, mesmo quando a pessoa não tem intenção de emagrecer, como foi o caso desta última.

          Cabe a cada um, tentar identificar o motivo do real aumento de peso, caso note qualquer alteração na balança ou diante do espelho. E isso é muito pessoal pois cada um sabe o que come diante dos outros e o que saboreia escondido atrás da porta. Após achar a causa do problema fica mais fácil encontrar a solução.

          Antes de iniciar uma dieta, procure achar uma atividade que lhe possa dar prazer sem ser a comida. Alguma coisa que o afaste da cozinha e que lhe tire o tempo de comer. É muito importante que a sua atenção seja desviada para um outro objetivo - ler um livro, assistir um filme sem pipoca, organizar a casa, visitar um amigo sem aceitar o pedaço de bolo que ele lhe oferecer, fazer uma caminhada sem ser tentado a comprar o chocolate exposto na vitrine da Padaria. O primeiro passo é desviar o foco da comida e não ficar se preocupando com ela.

          O segundo passo ao dar início ao regime alimentar, é escolher qual inimigo cortar em primeiro lugar - carboidratos ou açúcares, refrigerantes ou frituras. Não é bom cortar tudo de uma só vez pois isso vai gerar um grande stress e para quem deseja emagrecer não é nada aconselhável provocar o aumento do nível de ansiedade. As pessoas nervosas tendem a beliscar o que não devem e até acabam se esquecendo que quebraram certas regras.

          O terceiro passo é a força de vontade que precisa ser mantida e firme no objetivo que deseja alcançar. O resultado demora a aparecer. No mínimo, uma semana para o ponteiro da balança mostrar alguma alteração. Dependendo da atitude, pode levar semanas ou até mesmo um mês inteiro. Muitos se desanimam nos primeiros dias ou semanas de luta contra o aumento de peso. O importante é continuar com o firme propósito. Ninguém vê resultado de um dia para o outro. Demora mais para uns e menos para outros. Mas sempre demora porque queremos que o resultado seja imediato. Não tenha pressa de emagrecer. É preferível perder peso devagar do que muito rapidamente. Tudo o que se emagrece ligeiro, ligeiro volta-se a engordar.

          Respeite a sua natureza. Não queira ficar muito diferente do que realmente é. Há pessoas que não se contentam em perder 8 ou 10 kg. Querem secar por completo como se fossem desfilar nas passarelas de moda. Lembre-se que tudo tem um preço. Quando uma pessoa emagrece muito, a tendência da pele é ficar flácida. E o que fazer depois? Será que vale a pena exagerar na dieta e depois ter que passar por uma cirurgia plástica? Conheci uma pessoa que fez cirurgia bariátrica. Em menos de um ano, ficou com o corpo com que sempre sonhara. Mas, surgiu um outro problema. Seu rosto que antes era redondo tornou-se comprido e a pele ficara flácida. Resultado: Ficou cheio de rugas e com uma aparência de quem havia envelhecido uns 20 anos. Daí, de um problema simples surgiu um outro mais complexo e de gasto elevado. Portanto, é sempre bom conhecer todas as nuances de um tratamento para perda de peso.

          A questão não é só emagrecer. É estar ciente do que engorda você e do preço que terá que pagar para ficar como realmente deseja..

  NOSSA  ALIMENTAÇÃO

        Certa vez fiz um curso de culinária chinesa. Ao final de cada aula, o professor nos deixava experimentar um pouquinho dos pratos feitos naquele dia. Eram muitos alunos. A maioria composta por mulheres ávidas em aprender os macetes de uma cozinha muito diferente da nossa ocidental. A comida ficava tão saborosa que, não raro, alguém reclamava que queria mais e não tinha para repetir, porque a quantidade preparada era exatamente limitada a uma prova por pessoa. Não estávamos ali para jantar e sim para aprender a cozinhar uma receita exótica, analisar os ingredientes e ter um gostinho do resultado final.
        O chinês costumava rir das nossas queixas e chegou a comentar que o brasileiro, bem como todo o povo ocidental, come demais. Os alunos reagiram na mesma hora alegando que comiam bastante porque sentiam fome e, muitas vezes, pelo excesso de trabalho, passavam muitas horas sem uma alimentação adequada. Ao que o professor rebateu com uma teoria que jamais nos passara pela cabeça. Fez uma comparação entre o jeito de comer do ocidental e o do oriental. Os ocidentais parecem estar sempre com fome e quase sempre, são obesos. Por outro lado, os orientais passam uma imagem de que têm um apetite muito diminuto e, por isso mesmo, são esbeltos e mais saudáveis. A explicação que nos deu para essa diferença no comportamento de um e de outro está, basicamente, no tempero. Eles comem um pouco de arroz ou massa, uma salada, uma porção de peixe ou carne de porco e já ficam satisfeitos porque na sua cumbuca a comida fica nadando em alho, pimenta, molho shoyu, cúrcuma, páprica, gengibre, cominho, coentro e outros. Na verdade, não é um prato cheio de comida que mata a fome e sim a quantidade certa de tempero que é colocada no alimento servido.        

        Um prato pequeno mas bem temperado satisfaz mais rapidamente do que um prato carregado em forma de montanha e sem tempero algum. Quem come uma comida bem temperada é capaz de resistir o dia todo sem fome alguma, ingerindo apenas líquidos ou fazendo refeições frugais ao anoitecer. Em compensação, quem não tem o hábito de usar temperos nos seus preparos culinários, sente a necessidade de passar o dia inteiro beliscando e acaba perdendo a noção da quantidade de alimentos que ingere durante o dia. É claro que, se a pessoa sofre de pressão alta, deve ter cautela no uso dos temperos porque eles elevam a pressão arterial. Além do que são afrodisíacos. Sendo assim, se a pessoa puder colocar os temperos orientais em sua alimentação de forma correta, não precisará contar quantas colheres de arroz, conchas de feijão e folhas de alface estão no seu prato porque tudo se tornará tão natural que, automaticamente, em pouco tempo, aprenderá a se satisfazer com o necessário, ganhando mais saúde e auto-estima.

 

                                                                Elisabeth Souza Ferreira

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